quinta-feira, dezembro 28, 2006

Da Liberdade de Pensamento

David Irving, o historiador que negou o Holocausto, foi libertado a semana passada após cumprir 13 meses de pena. Aparentemente a lei de vários países da Europa Central (ainda?) proíbe a negação do Holocausto.
E pensar que o coitado do John Stuart escreveu o seu livrito há já século e meio, e ninguém lhe liga nenhuma. A estes senhores legisladores recomendo o capítulo dois.

Todos diferentes, todos iguais

A violação da privacidade do dirigente portista é decerto injustificável e obscena e os factos de índole criminal relatados deveriam ter sido comunicados à polícia e não matéria de best-seller. Salgado não está no entanto só na exposição da intimidade alheia. Outros livros, como o de Maria Filomena Mónica, se aventuram por esse território sem provocar o mesmo tipo de nojo público. É que Carolina é uma "ex-alternadeira", não uma intelectual com cachet. No entanto, descontado o estilo de escrita, que diferença há entre contar episódios sexuais ocorridos com várias pessoas vivas, citando-as pelo nome, sob pretexto de "memórias", e o que fez Carolina?
Fernanda Câncio, DN 15.12.2006

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Eternas insatisfeitas

Se fosse preciso mais uma prova de que as mulheres nunca estão contentes ela aí está. A Sra Angelina conseguiu levar para casa o homem por quem todas as mulheres suspiram. Ficou satisfeita? Não. Andou, está à vista de todos, a divertir-se com um chinês, um negro e um nórdico. E o pobre do homem, aparentemente, nem desconfia.

Seguradoras

Seria engraçado se não fosse ridículo. Uma seguradora cobrou-me duas vezes o mesmo prémio, apesar de eu os ter avisado com antecedência que tinha recebido duas facturas iguais. A semana passada, passados seis meses, recebi finalmente o valor de volta; isto, claro, muitos telefonemas e muitos e-mails depois. Nem um "Pedimos desculpa por este erro estúpido" nem um "O funcionário responsável será severamente fustigado". Nada. Apenas a transferência do valor, ainda por cima com um cêntimo a menos (vá-se lá percebê-los).
Agora, qual cereja em cima do bolo, recebo uma carta que explica: "A Axa Portugal, num processo contínuo de melhoria do serviço prestado ao cliente, encontrou uma vez mais uma forma de o servir melhor. Assim, creditámos o valor deste aviso directamente na sua Conta Bancária."
Seis meses depois, por um erro deles, e com um cêntimo a menos. Nem quero pensar como seria o serviço antes da melhoria.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Trimestre Natalício

Ainda me lembro de quando o Natal durava uma noite, eventualmente mais a Roupa Velha no dia seguinte. Uma noite a confraternizar com família que não tínhamos visto durante todo o ano, que servia para nos lembrar porque é que realmente não os víamos durante o resto o ano.
Agora que o novo Deus (não o do Vaticano mas o da Reserva Federal) substituiu o menino nas palhinhas, o Natal dura um trimestre. Ainda por cima, as lojas dos trezentos tornaram cada prédio uma espécie de Picadilly Circus, mas com mais luzes e mais Pais Natais a subir as varandas. Quando era criança se desenhava um prédio pintava-o de cinzento; as crianças de agora, imagino, devem pintá-los de vermelho, verde, amarelo, tudo coberto de luzinhas irritantes.
Este governo descredibilizou os restaurante chineses; não podem por favor fazer o mesmo às lojas de chineses para ver se os prédios deixam de piscar?

terça-feira, dezembro 19, 2006

The Departed

Não escrevi aqui nada sobre The Departed, mas também não sei bem o que escrever. Apenas que será certamente um clássico dos noughties (ou lá como vamos chamar a esta década).

Micah

Mais um imperdível, mais um que vou perder. Micah Paul "Running Out of Patience" Hinson, Teatro Circo, Braga, 25 de Janeiro. Ah, e no dia anterior em Lisboa.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Auto, boulot, dodo

Não deixa de ser elogioso que os franceses tenham inventado uma expressão propositadamente para descrever a minha vida.

Audiolivros

O Codex 632, de José Rodrigues dos Santos, foi editado em audiolivro(parece que é assim o termo em português), o que me parece uma excelente notícia: não tanto pelo Codex em si (experimentei ler meia dúzia de páginas e não passou no teste), mas pelo facto de poder ser sinal de que vai começar a haver oferta deste tipo de produtos, muito escassa em Portugal.
A mim sempre me pareceu uma óptima forma de suportar as filas de trânsito, e na geração IPod vai fazer cada vez mais sentido. Fico à espera então de mais títulos, e já agora a um preço mais reduzido que os 40 euros do Codex (já sei que são muitas horas de gravação, mas se aquilo tudo fosse vendido baratito em mp3 a geração IPod até poderia aderir...).

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Maximilian

O Teatro Circo vai-nos mostrar durante 2007 o que se faz na música alemã, e em Fevereiro teremos a voz de veludo de Maximilian Hecker (se esta é realmente música alemã é discutível, mas isso é outro assunto). Valores mais altos se levantam e não poderei estar presente, mas será certamente um dos concertos a não perder no início do próximo ano.

E segue-se a UEFA...

O Senhor Sir veio a Alvalade e saiu daqui a dizer que tinha aprendido muito sobre a forma de jogar do Benfica e que não ia facilitar. Afinal a única coisa que aprendeu foi a estacionar o autocarro em frente à área, e quem assim joga arrisca-se a levar um golo mais tarde ou mais cedo. Infelizmente para o Benfica foi mais cedo com um grande golo de Nélson, e o Manchester viu-se obrigado a deitar fora tudo o que o Sir tinha aprendido e a balancear-se no ataque (o próprio Ferguson afirmou "Temos de agradecer o golo a Nélson", na conferência de imprensa). Jogando assim o Manchester provou que é realmente melhor que o Benfica: ao intervalo já tinha empatado, e na segunda parte marcou mais dois.
Naquele que foi o grupo mais equilibrado de todos (o último classificado terminou com 7 pontos), acabamos por ficar com a UEFA, apesar de o Celtic não me ter convencido que é superior ao Benfica. Em Copenhaga, onde muita gente dizia que tínhamos perdido pontos, fomos os únicos a pontuar. A diferença para o Celtic foi apenas o jogo em casa com o Manchester, onde o Celtic ganhou porque teve a sorte de marcar a apenas 10 minutos do fim; como ontem, o Manchester só reagiu quando se viu a perder, mas já era tarde demais (apesar de duas perdidas de Saha, uma delas de penalty).
As outras equipas portuguesas tiveram sorte diferentes: o grupo do Porto acabou por ser mais fácil do que parecia, em parte por mérito próprio e em parte pela má forma das várias equipas (o Arsenal está a uns 15 pontos do Manchester, o Hamburgo arrasta-se no fundo da tabela alemã, o CSKA estava em fim de época/de férias); o Sporting começou bem mas acabou apenas com 5 pontos, num grupo onde tinha obrigação de pelo menos conseguir a UEFA.
Resta-nos a taça UEFA, acompanhados, espera-se, do Braguinha.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

A Ciência dos Intelectuais

Eduardo Prado Coelho escrevia no Público um destes dias que descobriu o Flatland, e aparentemente gostou. Não deixa de ser um bom sinal ouvi-lo dizer que o leu, mas o próprio facto de o vir dizer, aos 60 anos, admiradíssimo como quem descobre um grande segredo, mostra como ainda é verdade que os nossos intelectuais consideram que uma pessoa "culta" deve obviamente ser conhecedor de Literatura, Pintura, Teatro, mas deixam a Ciência de fora disto.
O que distingue um clássico dos restantes livros é que ninguém os está a ler. Ninguém vem dizer aos 60 anos que está a ler o Quixote ou o Em Busca do Tempo Perdido. Quando muito pode estar a reler, mas nunca ninguém vai admitir que nunca pegou, sei lá, no Memorial do Convento.
O Flatland é, é claro, um clássico, já centário. Parece que a A&A lançou uma nova edição, e daí ter chegado agora às mãos do EPC, mas a Gradiva já o tem na Ciência Aberta há mais de 10 anos e por isso não há desculpa. Eu, de minha parte, sou capaz de comprar a nova versão, para o juntar ao amarelado da Gradiva; para reler...

O Papa e a Turquia

Estes dias dos Papa na Turquia têm-me feito relembrar as férias de há dois anos: Ankara e o mausoléu de Ataturk, Éfeso, a casa de Nossa Senhora, Istambul, Mesquita Azul, Rainha Sofia.
Pena que ele não tenha comprado o pacote completo, com uma semana de praia, que também recomendo.

O Papa e a Mesquita

Dizem-me hoje no telejornal que o Papa cometeu o feito (extraordinário!) de entrar numa mesquita, no caso a Mesquita Azul em Istambul. Aparentemente foi apenas a segunda vez na história que um Papa entrou numa mesquita.
É realmente extraordinário: não o facto de o Papa entrar na mesquita, claro, mas o facto de nestes tempos ecuménicos, de aproximação entre religiões, e bla bla, ser apenas a segunda vez que tal acontece, e ainda hoje se considerar isso um grande passo...

Sentados, 3

A uma semana bastante cansativa juntou-se um princípio da gripe na sexta, e por isso as bandas em palco tinham um desafio ambicioso: manter-me acordado até à 1, 2 das manhã.
A noite começou com o piano de Stuart Robertson. Música que não foi feita para deslumbrar, mas que nos embalou para um óptimo início de noite. O público foi sendo conquistado com as tentativas, bastante bem sucedidas, de falar português com a ajuda de uns pequenos papéis em cima do piano: Esta música chama-se Green Bay, e é do novo álbum, lia, com um sotaque surpreendentemente perto do perfeito.
Os Fink foram os senhores que se seguem, e tenho de confessar que foram os que pior cumpriram o desafio que lhes propus: culpa toda minha, claro, da semana cansativa e da gripe, nenhuma deles. Ainda assim deu para perceber que sai dali folk de qualidade, a ouvir com mais atenção num futuro próximo, isto vindo de alguém que, dizem-me, (mas claro que não acredito) era anteriormente um dj de música electrónica.
A fechar a noite, o pop surrealista de Adam Green, com um espectáculo que quem lá esteve não vai esquecer. Adam Green era o que eu melhor conhecia antes do Festival, e foi para mim o melhor das duas noites. Começa por ironizar com o português, e a meio das músicas vai sacando de um guia de convesação, abre uma página à sorte, e saem-lhe frases como "Não arranque o dente" ou "Estou gravída" (sic). Ele garante que "This is fun, it's the first time I do this", mas a ideia que fica é que o seu método de escrever canções não andará muito longe disto. Sentado timidamente, com os pés a apontar para dentro, ia-nos encantando com as suas músicas, cada uma mais catchy que a outra. Logo desde cedo avisou que I like to do drugs, I like to have drugs, e é realmente o que se percebe quando se vê alguém a rir-se das próprias músicas: ou se ri agora do que escreveu sob o efeito de substâncias ilegais; ou se ri exactamente por efeito das ditas substâncias; ou, provavelmente, por uma conjungação de ambas. É fácil perceber o complexo de Salieri olhando para este Mozart da pop: ali está um puto ganzado, que ninguém daria nada por ele, saindo-lhe as músicas com espantosa naturalidade, imagina-se que dispensando sequer ensaios, fazendo o que outros estudam, ensaiam, lêem, tentam, e não conseguem. É verdade que se engana, que pára e diz oh, fuck, que se esquece das letras, mas dá um sorriso e tudo lhe é perdoado, porque afinal o puto é mesmo bom. "I have so many songs, what should I play"? E o público sugere Jessica e ele canta, e Emily e Nat King Cole , e ele diz que sim a ambas mas depois esquece-ce da segunda, e Pay the toll que ele diz não saber a letra, mas trauteia e lá se lembra. E tivemos Bluebirds, e I Wanna Die, e Novotel, e Computer Show, e Gemstones, e Carolina, e What a waster dos Libertines ("I am gonna play this song because I play it very well"). E fomos para casa a assobiar, e felizes por ter saído de casa nesta noite de chuva.
Vinte e quatro horas de pulseira no braço depois a má notícia estava chapada na porta do teatro (que a mim, claro, me escapou): devido a uma gripe, Emiliana Torrini não estaria presente.
A noite começou com Ed Harcourt. O palco esperava-o já com os intrumentos para os Sparklehorse, e a primeira reacção ao vê-lo entrar sozinho de guitarra debaixo do braço é que podiam ter pensado numa solução melhor, porque o homem ficava quase escondido com tantos instrumentos. Nada de mais errado, já que metade dos instrumentos era mesmo para ele. Começa com a tal guitarra, é verdade, mas logo a larga, enquanto continuámos a ouvir aquilo que acabou de gravar. Vai mexendo numa caixita mágica com os pés, e grava também alguns sons com um pequeno metalofone, e quando canta, tocando guitarra eléctrica, é já sobre o som dos instrumentos entretanto gravados. Não sabia, não esperava, e adorei. Ao longo do concerto iria ainda sentar-se frequentemente ao piano ("I hate electrical pianos; sorry for not bringing a proper piano, and have to play in this toy") - com uma voz a fazer lembrar Damien Rice algumas vezes, enquanto outras grunhia à la Tom Waits -, e também gravar com a sua caixita mágica sons de bongo, de maracas e outros chocalhos, de pandeireta, de sei lá mais o quê. Não faço ideia qual a formação do senhor, mas desconfio que há ali pouco de garagem e muito de estudos a sério.
Sem Emiliana passamos directamente para os cabeças de cartaz da noite. Tenho apenas o It's a wonderful life, e pelo álbum pensei que ia gostar mais do concerto. Enquanto Ed Harcourt se cansou de pedir para colocar alguns instrumentos mais alto ou mais baixo, os Sparklehorse parece-me que optaram sempre pelo volume máximo, e isso acabou por abafar a voz de Mark Linkous, que nem merece nada ser abafada. O público gostou, parece, e exigiu os dois encores da praxe; se a memória não me falha no primeiro ouviu-se Gold day, no segundo It's a wonderful life.
Imagino que seja sempre difícil pensar em nomes para um festival que começou logo com Devendra + Robert Fischer + Sufjan Stevens. Este ano foi pena termos tido um nome a menos, mas de resto não desiludiu.





segunda-feira, novembro 20, 2006

À beira de um ataque de nervos

A comédia, já se sabe, é o mais difícil dos géneros. Fora um ou outro nome, temo sempre que os filmes "cómicos" mais tarde ou mais cedo vão descambar em alguém que tropeça numa banana ou leva com uma tarde na cara, e por isso nem arrisco.
Desta vez, no entanto, uma crítica qualquer lida na diagonal convenceu-me que este Little Miss Sunshine (Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos, em português) teria um "humor negro" excelente, gargalhadas garantidas, etc., num filme supostamente meio "independente". Dentro do espírito de me informar o menos possível antes do filme, lá fui eu.
Resultado: as gargalhadas realmente apareceram por lá, a ver pelo resto da sala: a carrinha que não arranca, obrigando a família a empurrar e entrar em andamento (ha ha); a buzina da carrinha que encrava e vai apitando durante a viagem (ha ha); o polícia que apanha a revista gay do cunhado (ha ha ha). Enfim. Costumo (como toda a gente) criticar os tradutores que inventam nomes disparatados para os filmes, mas desta vez só posso concordar que o título em português me prepararia melhor para aquilo.

domingo, novembro 19, 2006

Braga 3 - Benfica 1

Vi ontem o jogo nos camarotes. Como cheguei quase na hora do jogo o vinho e os rissóis estavam quase a acabar, tive de comer o queijo amanteigado com pão porque já não havia tostas, e não havia garfos suficientes para toda a gente comer arroz de pato. Com condições destas é natural que o povo deixe de ir à bola. Ainda por cima, com televisão para as repetições perde-se aquele instinto natural de, na dúvida, insultar o árbitro.
Quanto ao jogo em si, digamos que ambas as equipas têm vindo a alternar boas e más exibições, e ontem coincidiu um dia bom do Braga com um dia mau do Benfica. O Braga inaugurou o marcador com um erro de Quim, mas depois justificou a vantagem e até poderia ter marcado mais. Foi assim contra a corrente que o Benfica empatou, na primeira situação de perigo para a baliza de Paulo Santos; a partir daí, no entanto, o Braga baixou e Nuno gomes quase virava o resultado. Os últimos minutos da primeira parte foram novamente do Braga, que conseguiu marcar e ir para o intervalo a vencer. A segunda parte foi mais morna, com as alterações de Fernando Santos a não sortirem efeito. Simão ainda teve uma grande perdida, mas logo depois o Braga mataria a partida.
O golo do Benfica foi marcado por Ricardo Rocha, jogador que já passou por Braga e que os sócios minhotos, não percebo bem porquê, assobiavam sempre que tocava na bola (isto ainda antes de marcar o golo, o que fez com que celebrasse o golo, em provocação, virado para os sócios).

terça-feira, novembro 14, 2006

Girando

Quando cheguei (atrasado, claro) já se ouvia o discurso do Martin Luther King. Oito instrumentos (viola, Violino, violoncelo, piano, bateria, saxofone, baixo, acordeão) esperavam por outros tantos Johnsons, que chegariam vestidos de preto acompanhados pelo próprio Antony (de preto também); este ficar-se-ia quase sempre pelo microfone desta vez, brindando-nos com o piano apenas para o Hope there's someone. Antes tinham já descido em direcção ao palco as 13 modelos que, girando, turning, spiralling, acompanhariam cada música (cá fora, no final, discutir-se-ia se teriam todas nascido com pila; a mim ninguém me convence pelo menos da que estava de tronco nu). Cada modelo acompanhou uma música, incluindo 4 ou 5 músicas novas.
O Antony já passou duas ou três vezes em Portugal; vi-o apenas numa outra ocasião, em Famalicão. Na altura foi maior que agora o espanto ao verificar o poder da sua voz ao vivo, mas imagino que parte do público tivesse sentido isso mesmo quando começou Everything is new. Aceito que a primeira vez tem sempre um efeito maior, mas na verdade comparando os dois concertos o deste Sábado não fica em vantagem. Perdeu por exemplo por ter menos Antony ao piano, que ainda por cima leva a o termos sempre no centro do palco, com maneirismos que nos distraem (sem preconceito, mas distraem) da beleza do que se passa em palco; é um pouco como ver, por exemplo, um concerto do Bonnie Prince Billy: fechando os olhos só se ouve a música, lindíssima; abrir os olhos é vê-lo a comer o bigode, e é impossível evitar um sorriso. Em termos de som a Casa das Artes também não fica nada atrás do novo Teatro Circo, talvez até antes pelo contrário.
Os maneirismos de Antony foram, é verdade, disfarçados pelo que se passava atrás de si. As modelos eram filmadas enquanto rodavam em cima de uma base giratória no extremo esquerdo do palco, e um grande plano projectado na tela gigante atrás dos músicos, com os efeitos de Charles Atlas produzidos no momento. A sobreposição das imagens das modelos (frequentemente 2, 3 imagens de momentos separados talvez por um segundo) resultava em imagens muito bonitas. As próprias músicas, pareceu-me, eram interpretadas de forma um pouco mais lenta, acompanhando o ritmo em que as modelos giravam.
O público portou-se bem, mantendo bonitos silêncios quando isso se justificou, mas por alguma razão senti a falta dos assobios entre a 2ª e a 3ª nota. Quem vai a (estes) concertos sabe que há uma ética própria que implica o máximo de silêncio, mas também sabe que há uma excepção que é o tal assobio a seguir à segunda nota: significa que quem assobia reconheceu já a música, e gostou que ela tivesse sido escolhida. Não ter ouvido estes assobios no início do já referido Hope there's someone, por exemplo, ou de um Bird Gehrl, causou-me uma certa estranheza. A mim ficou-me a dúvida: ou o público simplesmente não conhecia as músicas e estava ali mais para ver o dourado restaurado do Teatro Circo, ou estava demasiado boquiaberto para poder assobiar.
Quem já o ouviu sabe que Antony é daqueles abençoados que não conseguiria fazer um mau concerto nem que tentasse. Sábado o concerto foi lindo, sublime, isso tudo. Inesquecível. O tal concerto do ano, provavelmente. Não o quereria perder por nada. Mas, tendo visto ambos, e se tivesse de escolher apenas um, escolheria o concerto mais autêntico, menos produzido, menos pós-Mercury Prize, mais Antony, que vi em Famalicão. Esqueçam os efeitos e dêem-lhe apenas um piano, que ele não precisa de mais nada. Mas, claro, com ou sem efeitos, que nos continue a visitar que nós cá estaremos para o aplaudir de pé novamente; ou, utlizando as suas palavras: "Obrigado".


sábado, novembro 11, 2006

O fim da Humanidade, atentados e Freud

Esta semana houve direito a três idas ao cinema. A primeira foi para ver Children of Men, um filme do realizador de Y tu mamá también (agora em versão holywood). A ideia tinha tudo para dar um bom filme (2027, morre o último jovem - 18 anos - depois de a humanidade se ter misteriosamente tornado estéril), mas poderia ter sido melhor explorada: por exemplo, os problemas de 2027, poluição e emigração, são problemas já hoje: a imaginação não foi muita. Além disso, de minha parte dispensava um filme de ficção futurista, mas se não se queriam preocupar com isso a acção poderia passar-se num futuro mais próximo (escusava de ter já 18 anos o jovem); desta forma é sempre estranho imaginar que, por mais caótico que seja o futuro, não existam daqui a 20 anos modelos de carros novos ou outros gadgets que não temos hoje. O argumento anda à volta da tentativa de salvar um bebé (carregadinha de simbolismos bíblicos), e não passa muito disso. Prometia mais, mas ainda assim um filme a ver, e sem dúvida bem acima de outras coisas que por lá se fazem. Clive Owen (no papel do salvador da criança) e Michael Caine (no papel de um velhote que fuma erva com sabor a morango) estão bastante bem, Julianne Moore pouco aparece.
O segundo filme da semana foi United 93, um filme sobre o bastante difícil primeiro dia de trabalho de Ben Sliney. Apesar do forte carácter propagandista, e da dificuldade que existe em fazer um filme quando o argumento é por demais conhecido - neste caso a parte final, pelo menos -, parece-me que cumpre com o objectivo de nos colocar lá dentro e sentirmos o que sentiram estas pessoas. Existem obviamente algumas coisas que nunca saberemos se correspondem à realidade, e outras são difíceis de acreditar (o piloto terá mesmo colado uma foto do capitólio? para se guiar?), mas o facto de ser filmado com grandes planos, de câmara na mão, consegue passar a sensação que o realizador pretenderia. Outro ponto que terá contribuido é o facto de muitas das personagens lá estarem as himself (apenas as do solo, por razões óbvias). Com o tempo, a memória colectiva destes acontecimentos passa mais pelas obras que os retratam do que pelo que verdadeiramente aconteceu; não vi o World Trade Center (que penso não será comparável pois aborda um lado completamente diferente dos atentados), mas parece-me que ainda não foi feito o filme definitivo sobre o 11 de Setembro; talvez isso já não seja possível dada a complexidade do acontecimento, e aí este Voo 93 será uma peças importante no criar dessa tal memória colectiva.
A melhor supresa da semana viria com o freudiano Inconscientes. Leonor Watling - aqui bem mais mexida do que em Hable con ella - interpreta uma jovem grávida (leitora de Freud, Marx, Sherlock Holmes, Emily e Charlotte Brönte, Mary Shelley, Oscar Wilde), que vê o seu marido misteriosamente fugir de casa e vai - ela própria qual Sherlock -, junto com o cunhado, procurar encontrar as razões para este desaparecimento, descobrindo no caminho segredos sobre todos os que a rodeiam. O filme fez-me um pouco lembrar o 8 Mulheres, mas confesso que já não o vejo há bastante tempo e por isso a semelhança pode ser pouca. Apanhei este Inconscientes no cinema, mas sendo de 2004 deve ser mais fácil alugá-lo e vê-lo em casa, numa tarde de Domingo chuvosa (que mais semana menos semana há-de chegar, imagina-se); de uma forma ou de outra a não perder, ao mesmo tempo que nos roemos de inveja pelo cinema que os nuestros hermanos fazem e nós teimamos em não fazer.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Sightseeing

Hotel em Berlim. A e B estão na mesa ao nosso lado, quando chega uma terceira (C). Ler com sotaque de Royle Family.
C: Hello, we are going to the Bradenburg gate, and places like that. Do you want to come?
A: Yes, sure, we can all go together.
B: I thought you wanted to go shopping.
A: Oh, they are not going shopping?
B: No, they are going sightseeing here in Berlin.

(a outra reage como se isso nunca lhe tivesse passado pela cabeça, e esta fosse a ideia mais original do mundo)
A: Sightseeing? Oh... Here? That's also a good idea...
B: We could maybe do that tomorrow...
A: Ok. And will they still be there tomorrow?
B: You mean the sights? They are always there, aren't they?
A: Oh, I guess they are. We'll go sightseeing tomorrow then...

Bola colorida

O sonho, claro, é uma constante da vida. Hoje tinha realmente sonhado com este resultado: acordei com uma imagem nítida de um jornal desportivo com 3-0 em letras garrafais na capa. Tenho de acreditar mais nas características premonitórias dos meus sonhos.
Ainda vamos na cauda do grupo junto com o Copenhaga, mas parece-me que ou é o Hesselink que faz falta e muda este Celtic em breve ou arriscam-se a nem ir à UEFA. A nós já só nos faltam duas finais, e talvez ganhar ao Copenhaga até seja suficiente.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Stuart

Stuart Staples é que parece que só mesmo na Aula Magna. E cá para cima, não somos gente?


Gente sentada

Aquele que tinha por site oficial ainda só refere os dois primeiros nomes para a 3ª edição do festival, mas já há sites de notícias e blogs com a lista completa. Não está nada mal; vamos ver se vou conseguir continuar a ser totalista.
24/11/2006: Adam Green, Fink, Stuart Robertson
25/11/2006: Sparklehorse, Emiliana Torrini, Ed Harcourt

Cosmopolita

Apenas 2 noites em Berlim. O suficiente para nos cruzarmos, de uma forma ou de outra, com as comunidades alemã, inglesa, irlandesa, americana, espanhola, russa, portuguesa, turca, brasileira.

Volver

Incesto, morte, solidão, família, doença, aldeia, mulheres, superstição, assasínio, traição, velhice, incesto.
Está bem a Penelope, apesar de o nome Raimunda não lhe assentar nada bem; Carmen Maura cumpre, com um papel relativamente pequeno; Yohana Cobo é a revelação, e já se fala que é a próxima Penelope.
De resto, dispensava as explicações dadas pela Abuela e mais tarde pela própria Raimunda: um fim um pouco mais aberto tem sempre a vantagem de nos obrigar a pensar no filme depois de sairmos da sala, e no caso as explicações até vêm numa altura em que estava tudo mais que percebido, o que só nos faz sentir que estamos a ser considerados estúpidos.
Pode ainda não ser Almodovar de volta ao seu melhor, mas vale sem dúvida a ida ao cinema.

Sonho

O Benfica jogou até agora 3 vezes com o Celtic nas competições europeias. Duas vezes fora, que perdeu por 3-0, e uma em casa, que ganhou por 3-0.
Hoje sonhei que a tradição se ia manter.

Referendo

Local: bar na cave de um hotel na Alemanha profunda. Uns 6 a 8 homens, feios, altos e gordos, em geral de meia e chinelinho, rodeiam cada uma das 3 mulheres presentes no bar, também elas feias, altas e gordas, pelo menos uma delas bastante mais gorda que eles. Neste ambiente, entre dois gins, apenas uma pergunta me vem à cabeça:
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da vida, se realizada, por opção da sociedade em geral e por razões estéticas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

segunda-feira, outubro 23, 2006

Coincidências

O que faria um árbitro no jogo anterior à deslocação do Benfica às Antas se pretendesse beneficiar a equipa azul e branca? Distribuía cartões a torto e a direito, na esperança de alguns jogadores benfiquistas ficarem de fora da próxima jornada.
O que fez Xistra? Num jogo que nem foi especialmente violento, mostrou 15 amarelos e 3 vermelhos, um dos quais a um Miccoli em grande forma que pelos vistos já preocupa o Engenheiro Chefe.

domingo, outubro 22, 2006

Entre os maiores

Portugal conseguiu colar-se às maiores economias europeias nas previsões de crescimento do PIB para 2007. As economias que menos vão crescer são Alemanha, Itália, Portugal e França; evitamos assim misturamo-nos com economias pequenas como Irlanda, Luxemburgo, Grécia (que crescem o dobro de nós).

segunda-feira, outubro 09, 2006

Turning

E se desta vez o concerto do ano não fosse nem na Casa das Artes em Famalicão, nem na Casa da Música, nem mesmo na Feira (graças ao Festival para Gente Sentada)?
Antony e Charles Atlas, apenas confirmado para 5 locais na Europa, e um deles é cá em casa: Roma, Londres, Paris, Madrid, e Braga. A 10 de Novembro o Teatro Circo de Braga junta-se assim a locais como o Olympia ou o Barbican para acolher o (a?) Bird Gerhl.
Eu já comprei.
PS: Por falar em FpSS, parece que o programa está a custar a sair...


quinta-feira, outubro 05, 2006

Medo

Ainda na Lufthansa. Devido a alguma turbulência no voo, a senhora ao meio lado bufava, fincava as unhas nos apoios dos braços, suava (e era só pela turbulência, juro que não lhe toquei). Medo estampado na cara.
Percebo o medo de se ter um acidente de carro, por exemplo: a dor, as consequências para toda a vida. Num acidente de avião, ao contrário, por regra a morte imagino que seja imediata: nada de dor, nada de sofrimento a longo prazo.
A senhora tem medo de quê então?

quarta-feira, outubro 04, 2006

Companhias

Alguém uma vez disse (o Richard Branson?) que a forma mais fácil de ser milionário é primeiro ser bilionário e depois criar uma companhia aérea. A verdade é que, enquanto nomes estabalecidos iam à falência, as low-cost conseguiram alterar as regras do jogo e com um novo modelo de negócio serem (?) lucrativas. Se o cenário para as companhias existentes já não era muito favorável, com esta nova entrada ficou ainda pior.
A resposta poderia ser dada pelo lado dos custos (o que é obviamente difícil, porque significa jogar no terreno do adversário, e competir com alguém que está desde o início optimizado para o custo baixo), ou então optar pela diferenciação. Não fazer nada significa, imagino, a morte mais ou menos lenta.
É nisto que penso quando, como ontem, voo na Lufthansa e me oferecem um quadradito de arroz e um quadradito de feijão verde com raspas de cenoura e lhe chamam refeição. Ou seja, em vez da diferenciação as companhias tradicionais estão cada vez mais parecidas com as low-cost. Pela minha experiência com a Virgin Express ou com a Ryanair, a diferença é pouco mais que o Público grátis e o quadradito de arroz. Sendo assim, é difícil justificar a diferença de preço: o que se poupa numa low-cost é mais do que suficiente para uma boa refeição antes do voo, outra depois, e toda a literatura de bordo que preciso.
Dito isto, porque estava eu a voar com a Lufthansa? Porque não sou eu que pago, basicamente. As empresas são tipicamente mais lentas a aderir a estes modelos: vi por exemplo muitas pessoas a aderir ao Skype em casa, e só bastante mais tarde as empresas a procurarem soluções VOIP. Lentas, mas acabam por chegar lá. E depois, Lufthansa?

quinta-feira, setembro 28, 2006

Maminhas

Afinal não só às crianças pertence o mundo. Com Jura, a SIC (e parece que também a TVI com Tempo de Viver) lembrou-se que nós também queremos ver televisão.

Vermelho, vermelhão

Não sendo mais, valeu pela festa, pela A1 pintada de vermelho, pela estação da Mealhada a vender cachecóis do Glorioso.

terça-feira, setembro 26, 2006

The impossible rapper

Hoje acordei a cantar isto. Dedicado ao tempo em que me fascinava o Escher, e em que ouvia Momus.

But if we imagine a world where every MC really is badder and fresher
Than every other, it just gets madder and madder
One of those rooftop salmon ladders
Drawn by .....

MC Escher
The impossible rapper
Ain't nobody does it better
Under pressure
MC Escher
He's so clever
Gives you pleasure
Forever

So watch the water flow round and round
Without the need for pressure
This world of perpetual motion
Is just a beautiful illusion


domingo, setembro 24, 2006

Bom fim-de-semana

No final do século passado dava formação, entre outros, de um módulo de Introdução à Informática. Na primeira sessão costumava pedir aos formandos exemplos de como a informática influencia a nossa vida, tanto positiva como negativamente. Na coluna dos factores negativos aparecia invariavelmente o facto de os computadores (ou as máquinas no geral) poderem em alguns trabalhos substituir o homem, e assim levar ao aumento do desemprego. Alguém normalmente contra-argumentava que outros empregos são criados pelos computadores (ou não fosse o de formador de informática um bom exemplo), mas no geral a opinião era de que o saldo seria negativo.
O papel do formador, para mim, sempre foi o do advogado diabo, argumentando a favor da opinião em minoria de forma a fomentar a discussão. Sempre tive jeito para argumentar mesmo não concordando com o que estou a defender, mas no caso específico isso nem era necessário. O argumento é simples: sim, os empregos provavelmente diminuiriam, mas e daí?
É verdade que muitos defendem que apenas o trabalho completa o ser humano, e blá blá, mas nunca acreditei nisso. Quando as pessoas se queixam de não ter emprego, frequentemente estão a queixar-se daquilo que os empregos proporcionam: basicamente, aqueles pedaços de papel a que se convencionou atribuir valor de troca (ok, e em casos raros a um sentimento de "contribuição para a sociedade" e de "realização").
As máquinas, ao contribuir para aumentos brutais de produtividade, deveriam contribuir para que as pessoas tivessem de trabalhar cada vez menos. Para que raio queremos as máquinas senão para isso? Em vez disso, claro (e sem querer soar muito marxista), as mais-valias (oops) desse aumento de produtividade beneficiam os do costume, e quem se lixa é o mexilhão. Mas não teria que ser assim: num futuro não muito distante poderia só trabalhar quem quisesse.
Fazendo uma análise propositadamente simplista, é fácil ver que havendo excesso de oferta no mercado de trabalho (originando desemprego), não ouvimos falar de falta de produtos. Ou seja, as pessoas que trabalham são suficientes para produzir o que precisamos. Ou seja ainda, não é preciso que trabalhemos todos. E, num futuro não muito distante, muito menos serão precisos. Aliás, a semana de trabalho já foi reduzida para metade no último século, e aquilo que chamamos hoje uma semana cheia seria um trabalho leve no auge da Revolução Industrial. Parece-me que não há razões para pensar que essa tendência precisa inverter-se.
Bem, vem isto a propósito de me terem chamado a atenção para o facto do Bloco de Esquerda ter defendido o fim-de-semana de 3 dias (semana de 36 horas, a 9 horas por dia). É um tema a voltar com mais tempo: não é uma ideia original (tenho essa ideia todas as segundas-feiras), e não vou discutir se Portugal se pode dar ao luxo de estar na linha da frente nesta matéria, mas como meta a atingir parece-me bem. Só ainda não decidi se prefiro a sexta ou a quarta-feira.

sexta-feira, setembro 22, 2006

O Sol

Não comprei. Tinha curiosidade, confesso, mas sinceramente não me apeteceu contribuir para que o primeiro número fosse um sucesso (parece que esgotou, no entanto, mesmo sem a minha contribuição). E não li. Mas não tinha grandes ilusões.
A primeira pista era o próprio nome. O inglês The Sun, de quem o novo semanário copia o nome, não é propriamente conhecido pelo seu jornalismo sério. Pior, talvez, só se se chamasse O Espelho Diário.
Depois, o próprio José António Saraiva deixou tudo bem claro na entrevista com a Judite de Sousa. Quando a jornalista lhe perguntou se havia espaço para mais um semanário quando os jornais estavam a cair nas vendas, Saraiva respondeu (escrevo de memória) que isso era falso: que era verdade que os jornais de referência (Público, DN, Expresso) estavam a descer, mas jornais como o Correio da Manhã ou o 24 Horas subiam. Só era preciso, concluiu, escrever para o público certo. Seria preciso dizer mais alguma coisa? O post do Pedro Mexia vem confirmar isto, ao chamar ao jornal "o Correio da Manhã em semanário".
Mas nem era preciso o Mexia: já o sabia desde que o isento Isaltino Morais tinha chamado o jornal de "pasquim".

El diablo

Ayer vino el Diablo aquí, ayer estuvo el Diablo aquí, en este mismo lugar. Huele a azufre todavía esta mesa donde me ha tocado hablar. Ayer señoras, señores, desde esta misma tribuna el Señor Presidente de los Estados Unidos, a quien yo llamo "El Diablo”, vino aquí hablando como dueño del mundo. Un psiquiatra no estaría de más para analizar el discurso de ayer del Presidente de los Estados Unidos.
Discurso do Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez, na 61ª Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque

quarta-feira, setembro 20, 2006

Love, love, love, love, crazy love

Os Vetiver estiveram este domingo à noite no Corredor Nascente da Casa da Música. O dito corredor, esgotadíssimo (diria que 100 pessoas, talvez um pouco mais), acaba por ser um local agradável e intimista, com uma excelente vista para a Rotunda da Boavista (se nos abstrairmos do facto de estarmos com o cu no chão duro).
Andy Cabic, vamos assumir, é mais conhecido por ser "o amigo do Devendra". Esta amizade, e a colaboração a nível musical, tem levado a incluí-lo no que chamam freak folk. Tá mal: Andy não é Devendra, e se aos álbuns e aos concertos deste facilmente se associa a palavra freak - mesmo quem não tenha ouvido o nome do movimento -, nestes Vetiver o simples e o belo sobrepõem-se largamente ao freak e ao weird (bem, excluindo os últimos 2 minutos de Red Lantern Girls). Andy também não enche o palco como faz o Niño Rojo, mas aqui e ali foi mantendo alguma interacção com a assistência.
Tendo a banda apenas dois álbuns o alinhamento era mais ou menos previsível: mais do último Find Me Gone, mas também muito do álbum homónimo de estreia. É verdade que em algumas músicas notou-se, por exemplo, a falta das vozes femininas, mas outras até saíram melhor nesta versão ao vivo. Pontos altos acabaram por ser as músicas a pedido nos encores: Amour Fou e Idle Ties ("yes, ok, we'll play both") e Belle ("you're right, we haven't played that one yet"), e também as versões de outros autores: Be Kind to Me de Michael Hurley ("one of our favourites"), Long, Long Time to Get Old dos Great Speckled Bird ("we weren't going to play that one, but we want to see how it sounds in this room").
No geral, o concerto esteve à altura dos álbuns, e quem os conhece sabe que isso é um grande elogio.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Antuérpia, Agosto 2006

(Jan Fabre, Koninklijk Museum voor Schone Kunsten)

domingo, setembro 17, 2006

Ghent, Agosto 2006

ou: Como é bom clima é Portugal.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Bruxelas, Agosto 2006

quinta-feira, setembro 14, 2006

Braguinha

Quantos vezes equipas portuguesas ganharam duas vezes numa semana a equipas italianas?

terça-feira, setembro 12, 2006

É já este domingo...

Escolher o (meu) concerto do ano de 2004 não seria muito difícil: o Devendra do primeiro Festival para Gente Sentada, o tal que o pôs a cantar em português, destacou-se do resto que vi nesse ano. Para 2005 a escolha é fácil também: alguns segundos após o Antony começar a cantar na Casa das Artes em Famalicão toda a gente presente sentiu que aquela seria uma noite especial, para recordar.
Para este ano não sei quem destacar, se tiver de escolher apenas um. Vi as Cocorosie; o Thomas Truax e os Dresden Dolls; Undertow Orchestra; a Baby Dee; Micah P. Hinson; os Pop dell'Arte. E é verdade que o Festival para Gente Sentada ainda aí vem (para já sem nomes confirmados). Mas, confesso, estou bastante optimista para o concerto deste domingo, dos Vetiver, na Casa da Música.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Adivinhómetro

Há tempos o Rui Tavares escrevia no público, e também no seu blog, sobre o adivinhómetro do Vasco Pulido Valente (no caso sobre o extremismo muçulmano). Lembrei-me de um artigo que li do mesmo VPV, a 9 de Abril (um Domingo).
O objectivo do dito artigo era mais ou menos explicar-nos a cruzada valente do seu autor contra "o culto da saúde, da juventude e da perenidade da vida", e como o Vasco é uma espécie de Bolivar do século xxi, lutando bravamente pela liberdade de fumar. É sempre triste, apesar de frequente, ver pessoas inteligentes tentar justificar de forma idiota os seus vícios. Desta vez VPV vinha defender que "a evidência de que o fumo passivo prejudica a saúde está longe de ser conclusiva e não conseguiu persuadir a maioria dos peritos". A maioria dos peritos serão, claro, os companheiros de whisky de VPV. O curioso foi que, por enorme coincidência (ou alguém atento na redacção do Público?) o mesmo jornal viria desmentir o adivinhómetro, logo na quarta-feira seguinte.
Num artigo de Alexandra Campos com o título "Oito horas numa discoteca podem representar 15 cigarros para não fumador", a jornalista referia um estudo da Universidade do Minho que "que leva em conta a concentração de nicotina no ar e o volume de ar aspirado durante determinado tempo de exposição", para "estimar a quantidade média de cigarros "fumados" pelos não fumadores".
Mas, claro, o que são meros factos quando comparados com o adivinhómetro.

Morangos

Será que não existe na TVI um Director de Informação com vergonha na cara que impeça que o Jornal Nacional dedique 15 minutos, com directo e tudo, a "noticiar" o "novo ano lectivo no Colégio da Barra"?

quarta-feira, setembro 06, 2006

Lógica

No mesmo Alfa. Um rapazito joga com o seu gameboy durante todo o caminho; entretanto, o avô lê atentamente o 24 Horas. Durante a viagem o comboio pára, sem razão aparente. Vô, o que faz o comboio parado? A resposta foi imediata, sem levantar os olhos do 24 Horas: Oh, oh, se está parado não faz nada...

terça-feira, setembro 05, 2006

Racismo 2

Ainda no Alfa, um brasileiro conversa com um português já de idade.
Como se chama, pergunta o brasileiro. Emídio, responde o senhor. Ah, Emídio. Emídio, Emídio. Bonito nome. O meu é Edmilson. Parecido, né? Muito parecido com... Como é mesmo o seu nome? Emídio. Ah, é, Emídio. É nome só de Portugal. Lá no Brasil não temos isso. Não usamos esse nome lá. Esse nome de.. Como é mesmo o seu nome?

domingo, setembro 03, 2006

Racismo

Tenta-se não se ser racista, mas nem sempre é fácil.
12 de Agosto, Alfa de Braga para Lisboa. Uma senhora passa por mim e pergunta para que lado fica a casa de banho. Respodo que para aquele, penso eu. "E é sempre em frente?"

sábado, agosto 12, 2006

Truismos

Eu nem tive tempo de cumprimentar o estafeta. A pizza voou pelos ares. Não se distinguia o sangue do molho de tomate. Pensei para comigo que era realmente muito prática, esta ideia das entregas ao domicílio.
Daí em diante passamos a pedi-las com regularidade nas noites de lua cheia. Eu comia a pizza e Yvan o estafeta.


Em Truismes, de Marie Darrieussecq. Ou Estranhos Perfumes, na tradução das Edições Asa. Ou a metamorfose que Kafka escreveria se fosse uma mulher, e tivesse vivido no final do século vinte.

Segurança reforçada

Não percebo nada de segurança em aeroportos, confesso. Mas ao ouvir os responsáveis inglês e português dá para perceber algumas diferenças.
Em Inglaterra ouvimos que o alerta passou para crítico. Facilmente se percebe que não é preciso dizer mais nada: quer lhe chamem alerta crítico, ou segurança máxima, ou código vermelho, ou nível 5, ou o que quer que seja, certamente haverá uma série de procedimentos associados a esse nível. Se o trabalho de casa foi bem feito, ao ser decretado um novo nível toda a gente deve saber como passam as coisas a ser feitas.
Em Portugal, quem falou disse que as "novas instruções" já tinham sido comunicadas oralmente aos aeroportos, e que se estava agora a preparar a versão escrita para ser também enviada.
Apenas diferenças de cultura, ou os responsáveis em Portugal não fazem o trabalho prévio que deviam fazer?

sexta-feira, agosto 11, 2006

As crianças

O meu pai diz que a geração dele nunca mandou: quando era pequeno os pais é que mandavam, quando se tornou pai quem mandava já eram os filhos.
Sinto o mesmo em relação ao prime time da televisão, que nunca foi meu: quando era pequeno o horário nobre tinha telejornais e outras coisas chatas para adultos; hoje tem floribelas e morangos, para crianças.
Sempre ouvi dizer que o futuro pertencia às crianças, mas pensei que fosse apenas quando elas crescessem. Afinal o futuro já aí está, e elas é que mandam nisto.

Cocorosie

Parecendo que não, o concerto das Cocorosie em Famalicão foi já há mais de um mês. Na altura, imagine-se, a selecção ainda podia ser campeã do mundo!
As irmãs estiveram bem, muito bem, fazendo desfilar toda a bicharada da sua arca de Noé para uma Casa das Artes a abarrotar (o que não é tão comum como isso). As irmãs estiveram até, se calhar, demasiado bem: por vezes parecia que algumas vozes não eram ao vivo, e que da caixinha de música saía mais que sons de animais. Houve quem estranhasse que, ao contrário por exemplo do próprio Spleen (o responsável pelas incursões no rap?), elas nunca se enganassem. Injustiça?
Entretanto, é bonito ver a Casa das Artes encher para música de qualidade. A mim pareceu-me ver caras que estiveram ali pela primeira vez para ver Dresden Dolls (que serão, ainda assim, mais comerciais); pelos vistos gostaram e voltaram: é assim que se formam públicos. Perde-se o charme que tem um concerto com apenas meia dúzia de pessoas, mas aumenta a probabilidade de continuarmos a ter concertos de qualidade.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Portugal 1 - França 0

Neste encontro bastante particular o saldo foi positivo para Portugal.


Cuisses de grenouilles, Le Creusot, 2006-03-25


Caracóis, Guimarães, 2006-06-15

Homenagem

Não sei quem foi a primeira pessoa que conseguiu convencer o patrão não só a pagar-lhe o mês das férias, mas ainda por cima pagar-lhe a dobrar. A esse herói anónimo deixo aqui a minha sincera homenagem.

terça-feira, agosto 08, 2006

Losangos

Antigamente, quando o Benfica jogava em losango, as coisas não correram muito bem. Como estão a correr hoje em dia com o 4x3x3 só o Eng. Santos saberá. Já toda a gente percebeu que os jogadores não aprenderam a jogar em losango; logo vamos saber se desaprenderam o que sabiam.

A "auto-defesa" de Israel

Eu não diria melhor:
«O pressuposto é o de que Israel faz apenas “o normal”, o que todos os países fazem. A realidade não confere. Espanha foi alvo de terrorismo durante décadas, e sabia que a ETA se escondia no País Basco francês. Nunca bombardeou Saint-Jean-de-Luz. O Reino Unido foi alvo de terrorismo durante décadas e sabia que o IRA se organizava na República da Irlanda. Nunca bombardeou Belfast, muito menos Dublin.»
Rui Tavares, no Público de Sábado 5 Agosto, e no seu blog.

A melhor desculpa do ano 2

E tudo isto, dizem eles, por causa do cabo Gilad Shalit.
A melhor desculpa, afinal, não é nem a do Materazzi nem a da Naomi.

Ele e ela 2

Tinha dito que esta Blitz me parecia demasiado comercial.
Agora, na capa do número 2, a Nelly Furtado. I rest my case.

That Leaving Feeling

I got that leaving feeling and this time it's here to stay
I've been weighing up the pulling and pushing me away
The past is just so heavy, but it's something that I can't leave
And this future is so certain, it pushes me to my knees
[...]
We all have dreams of leaving we all want to make a new start
Go and pack that little suitcase with the pieces of our hearts
All those worries and those sorrows, we can just toss them away
Buy a coffee and a paper and go step onto a train
(Stuart Staples, That Leaving Feeling)

A quem devo telefonar para ser este senhor a inaugurar o novo Teatro Circo?
(já que Tom Waits seria, imagino, pedir demasiado)

domingo, agosto 06, 2006

Papaboa

Boa surpresa ontem, o restaurante Papaboa em Guimarães.
Dada a conjuntura actual, mariscos e carnes mal passadas estavam fora de questão, o que limita bastante a escolha. Tanto o fondue de lagosta como a espetada de faisão e magret de pato, portanto, vão ter de esperar por uma próxima. Optou-se por Cherne com migas de broa e grelos, seguido de Folhado de frango com cogumelos selvagens e bacon; ambos foram óptimas escolhas.
Como a única pessoa que bebia tinha de conduzir, e não havendo meias garrafas, a escolha teve de ser o maduro tinto a copo. Foi servido o alentejano e aveludado Vale da Torre.
Nota positiva para a ementa (apenas duas folhas com o que realmente o restaurante serve), mas merece-me um reparo: o couvert é descrito como "Espumante, pão, pratos variados". Os 4 euros estariam já justificados com o pão e os pratinhos de entrada, que até são variados; parece-me que não valia a pena incluir na descrição o espumante que é oferecido enquanto se espera pela preparação da mesa: deixa, desnecessariamente, de ser "oferecido".
No final, 2 pessoas pagaram 40 euros, mas é verdade que facilmente poderiam ter pago mais. Quem por lá quiser passar, que a visita é merecida, encontrará este Papaboa mesmo antes de chegar à rotunda da Universidade, quem desce do Paço dos Duques, do lado direito da Rua.

sábado, agosto 05, 2006

E se a capuchinho vermelho comesse o lobo mau?

Não sei se foi inventada cá, mas só vi a frase no poster português, e é a descrição perfeita para Hard Candy. Talvez até não tenha sido essa a intenção do autor, mas é um filme que consegue o que pareceria difícil: fazer-nos simpatizar com o lobo mau, neste caso um (suposto?) pedófilo (não vou discutir aqui se se deve considerar pedófilo alguém atraído por raparigas pós-puberdade).
Num filme com apenas cinco actores, as cenas com o Capuchinho Vermelho e o Lobo Mau preenchem praticamente a totalidade do filme, ambos com excelentes actuações. A isto juntam-se as reviravoltas no argumento e um realizador estreante que nos vai apresentando os dois actores principais em grandes planos que aumentam o envolvimento do espectador. Arrisco um 8 em 10.

sexta-feira, julho 28, 2006

Landis se fue...

Um engraçadinho do maisfutebol (ou terá sido da Marca?) decidiu colocar isto, que veio ter ao meu bloglines:

Isto é o que aparece no rss do maisfutebol:

Nas notícias em si, claro, o texto não aparece.
Enfim, ainda há gente que leva a sua profissão com boa disposição...

sexta-feira, julho 14, 2006

A melhor desculpa do ano

Tinha lido a frase em inglês, mas não a original em italiano.
Faz-me lembrar quando perguntaram à Naomi Campbell se confirmava rumores de separação do Joaquin Cortez, porque tinham sido vistos a discutir. "Discutir, nós? Impossível: eu não falo espanhol, e ele não fala inglês."

Perspectivas

Para quem ainda duvida que há diferença entre direita e esquerda (mesmo sendo esta esquerda):
(cito de memória)
Mª João Avillez: Sabe como chamam à Ministra da Educação? A nova Thatcher...
Sócrates: Bem, não vamos confundir persistência com...
MJA: Não percebeu, eu estava a fazer-lhe um elogio...

Cabeçada

Ontem tive pena de o Sócrates não ser o Zidane, e a Maria João Avillez o Materazzi. A senhora não insultou a irmã do primeiro-ministro, é verdade, mas que é ainda mais insuportável que o jogador italiano acho que ninguém duvida.

quarta-feira, julho 12, 2006

Dying slowly

So many squandered moments
So much wasted time
So busy chasing dreams
I left myself behind

I’ve seen it all and it’s all done
I’ve been with everyone and no one
So this dying slowly
It seemed better than shooting myself

(Tindersticks)

terça-feira, julho 11, 2006

O Outono em Pequim

É oportuno, nesta altura, fazermos uma breve pausa, porque isto vai passar a ter coesão e a dividir-se em capítulos normais. Há uma razão para isso: é que já temos uma rapariga, uma linda rapariga. [...] Com as raparigas é preciso haver tristeza, [...] é algo que nasce com elas. Com as bonitas. Das feias, pouco há a dizer: já basta que existam. Aliás, são todas bonitas.
Uma chama-se Cobre, outra Lavanda, e os nomes de algumas aparecerão depois, mas não neste livro, nem sequer nesta história.
Haverá muita gente na Exopotâmia, visto que é o deserto. As pessoas gostam de reunir-se no deserto, porque há lá lugar. [...] Arthur Eddington ensinou um processo para recuperar os leões que o deserto comporta: basta peneirar a areia e os leões ficam na rede. [...] Eddington esqueceu-se de que existem também os calhaus. Creio que, de vez em quando, vou falar em calhaus.

(Boris Vian)

segunda-feira, julho 10, 2006

Acabou

Para acabar o tema do mundial, um resumo de a) a o):
a) Portugal acabou no 4º lugar, e sinceramente a classificação até foi melhor que o que produzimos em campo;
b) Estamos de parabéns: se há um mês alguém dissesse que chegaríamos às meias-finais toda a gente concordaria que seria um excelente resultado; mas acaba por saber a pouco, porque há uma semana atrás o 4º lugar era o pior que nos podia acontecer;
c) Mesmo que tivessemos atingido o tal lugar no pódio esta selecção ficaria bem atrás da de 66, que encantou o mundo e deu uma nova grande estrela ao futebol mundial;
d) Dizer que estamos nas quatro melhores equipas do Mundo é um pouco falacioso: afinal, não conseguimos passar França e Alemanha, e portanto estamos ao mesmo nível de Espanha, Brasil, Argentina.
e) Para quem acha que jogamos bem: apenas dois homens foram considerados o melhor em campo perdendo o jogo: Fonseca no Portugal-México e Hargreaves no Portugal-Inglaterra;
f) No entanto, o Portugal-Alemanha, por ser quase a feijões, acabou por ser dos melhores jogos do mundial;
g) Nuno Gomes, porque não jogaste mais?
h) A Itália acabou por ganhar bem, mesmo tendo sido apenas nas grandes penalidades. Este mundial, no entanto, não conseguiu convencer ninguém de qual a melhor equipa do mundo: nenhuma equipa se destacou realmente, e os adeptos das, digamos, nove equipas candidatas chegam ao final a pensar que com um pouco mais de esforço poderiam estar agora a festejar;
i) 86 é Maradona, 90 é Baggio, 94 é Romário, 98 é Ronaldo (e Zidane), 2002 é Ronaldinho. 2006 não é ninguém em especial. A Fifa acabou por eleger Zidane como melhor do torneio, uma espécie de consolação por não ter ganho em 98 e um prémio de fim de carreira;
j) E por falar em Zidane... Porquoi, Zidade, porquoi? Ainda ninguém sabe. Um atitudade irracional? Um homem fraco, que não conseguiu aguentar-se? Um homem forte, que mostrou finalmente o que andou a aprender na sua juventude em Marselha? Será isso tudo e mais alguma coisa, como todos nós;
k) Zizou não deixa de ser, mesmo tendo perdido a final, mesmo com a cabeçada, o melhor desde Maradona;
l) Materazzi acabou por ser, ao lado de Zidane, uma das figuras da final: fez o penalty sobre Henry, marcou o golo do empate, beliscou o mamilo, levou uma cabeçada, marcou uma das grandes penalidades. E estará certamente nas notícias ainda durante alguns dias, porque Zidane há-de falar;
m) Num futebol globalizado, é difícil haver surpresas; até o Gana foi apenas meia supresa, e os seus craques eram já nomes conhecidos;
n) Com atletas com jogos a mais nas pernas, com tácticas defensivas, com treinadores mais preocupados em não perder, o futebol perde o seu espectáculo; cuidado Fifa...
o) Para quem gosta de teorias da conspiração: foram nomeados já na sexta os 10 melhores jogadores do Mundial: 4 italianos (Buffon, Cannavaro, Pirlo, Zambrotta), 3 franceses (Henry, Vieira, Zidane), 2 alemães (Ballack, Klose) e um português (Maniche). Esta equipas acabariam por ficar respectivamente em 1º, 2º, 3º e 4º lugares. Coincidência?

quarta-feira, julho 05, 2006

Sofrer até ao fim

Quando escrevi, ainda sem saber exactamente a classificação dos outros grupos, disse que era importante ficar em primeiro do grupo, para evitar a Argentina e a Alemanha. Assim foi, e Holanda e Inglaterra comprovaram serem bons adversários para nós. Foram, contudo, ambos jogos muito difíceis. A verdade é que ainda não convencemos o Mundo, mas estamos nas meias-finais.
Já se sabia que tínhamos um grupo muito fácil (o México era sem dúvida o pior cabeça de série, e Irão e Angola são o que são), mas que o próximo jogo seria muito difícil: ou a Argentina (um dos grandes favoritos) ou a Holanda (o melhor não-cabeça de série, juntamente com Portugal). Confirmando esses prognósticos, o Portugal-Holanda era o jogo mais equilibrado dos oitavos, juntamente com os jogos entre os grupos G e H (França-Espanha e Ucrânia-Suiça), e estes porque a França decidiu estragar as contas ao ficar em segundo lugar.
Ainda que batendo o recorde de expulsões o jogo acabou por correr bem; um jogo típico Filipão, disseram os brasileiros (que na altura ainda sonhavam com o bi-tri). No jogo seguinte, com a Inglaterra, voltamos a não impressionar, mesmo contra dez. Foi preciso um novo recorde (desta vez o de número de defesas de um guarda-redes num só jogo, nos penalties) para os ultrapassar. Sempre pensei que o Scolari tinha vendido a alma a alguém muito poderoso lá em cima (ao mesmo a quem o Mourinho vendeu a sua, imagino), mas uma alma já não chega: para ter tanta sorte, o homem vendeu, imagino, a alma da família toda.
Estamos então nas meias-finais, e não convencemos o Mundo: temos tido sorte, e além disso "mergulhamos" e pressionamos os árbitros; é esta a opinião de Holandeses, Ingleses, Franceses, Brasileiros. O mesmo se tinha passado com a Grécia há dois anos: foram campeões, mas não conseguiram ser verdadeiramente considerados a melhor equipa da Europa.
Entretanto, ainda não apareceu o jogador do Mundial. Teoricamente este devia ser o Mundial em que Zidane entregaria a coroa a Ronaldinho (que entretanto tinha sido já emprestada ao Ronaldo em 2002), mas Zizou achou que ainda não tinha chegado a altura, e Ronaldinho até concordou, passando ao lado do mundial. A eleger uma figura, até agora, penso que ainda terá que ser Zidane.
Do nosso lado o mágico é Deco, mas este também ainda não apareceu: no primeiro jogo não jogou por não estar a 100%, no terceiro foi poupado, a meio do quarto foi expulso, e no quinto estava castigado. No jogo do Irão mostrou um ar da sua graça, é verdade, mas ele consegue mais. Agora ele e Cristiano Ronaldo estão frescos, o que pode ser um ponto positivo para nós (ao contrário de um Figo, por exemplo, que me parece que já não aguenta 90 minutos).
Assim como queria evitar Argentina e Alemanha, também considero que um jogo com o Brasil seria muito difícil para nós: são parecidos connosco, mas melhores. Ainda assim, a França é o nosso histórico carrasco das meias-finais.
Será hoje que vamos convencer o Mundo? Será afinal a Deco que Zidane vai passar o testemunho?
Evitar novamente a Alemanha, é tudo o que peço.

domingo, junho 25, 2006

E esprememos a laranja

Quem diria que, afinal, o primeiro a bisar seria o porquinho feio?
Primeira derrota de Van Basten à frente da selecção laranja (que já não perdia desde o Europeu, nas meias-finais, contra Portugal), e Portugal está nos quartos após 40 anos. De lamentar as expulsões infantis, que significarão baixas importantes no jogo com a Inglaterra.

Ele e ela

Fui um dos culpados pela necessidade de mudança, confesso. Como muitos outros, já não o comprava tanto como noutros tempos. Ainda assim, tive pena que tivesse que acabar. Na quarta-feira comprei a sucessora, para ver como se comparava a filha ao pai.
Quando ia a um concerto sabia que o Blitz seria dos poucos sítios onde poderia encontrar uma crítica ao espectáculo; essa era, portanto, uma das razões porque o comprava. No resto da imprensa, por alguma razão que me escapa, é normal ter o anúncio do concerto, com uns parágrafos sobre o artista retirados da internet, mas no dia seguinte nada de crítica. Procurei as críticas agora na nova Blitz mas, imagino que dentro da política de redução de custos, não encontrei nada. Por aí, portanto, não a vou comprar.
Semanalmente vou lendo o Y, e não é raro, mesmo tendo ele apenas meia dúzia de páginas, poder fazer um ou dois recortes de críticas a discos que não conheço e pretendo ouvir (obrigado João Bonifácio). Nas 120 páginas da Blitz não fiz nenhum recorte. Também não será por aí, portanto, que a vou comprar.
Tinha lido bons comentários ao novo formato, e que estão no caminho certo, e bla bla. A mim, a nova Blitz pareceu-me demasiado mainstream. Compreendo a necessidade de agradar a um público o mais alargado possível, mas tenho até dúvidas que esse público esteja interessado na Blitz. Quem vai ouvindo a música da semana das playlists das rádios, quem ouve James Blunt ou Nelly Furtado porque é o que está a passar na Comercial, não me parece que esteja muito interessado em ler críticas musicais sobre o novo álbum.
Não sei se o Jornal de Letras sobrevive bem ou mal; imagino que mal: o Eduardo Prado Coelho e os seus amigos comprarão o JL, e pouco mais. Mas encontrou um nicho de mercado, e é a esse que tenta agradar. Como o Saramago veio defender (não concordo muito, mas isso é outro post), ler será sempre coisa para poucos. Fazendo capas com, sei lá, Kazuo Ishiguro, o JL nunca terá uma tiragem tão grande como a Nova Gente, é verdade, mas é o seu nicho; não acredito é que passar a fazer capas com a Margarida Rebelo Pinto seja a solução para aumentar as vendas: os leitores da MRP, vamos admitir, não compram jornais de literatura.
E voltamos à Blitz. Posso então estar enganado, mas não acredito que os tais ouvintes-rádio-comercial estejam interessados numa revista de música. Talvez por isso, a tentativa é de deixar de ser apenas uma revista de música; mas como revista de cinema já existe melhor, como revista de videojogos também. Ficamos portanto com uma revista levezinha que fala sobre um pouco de tudo: música, cinema, jogos, até futebol. Pode ser que resulte, pode ser que seja isso que venda, não sei. Escusavam era de lhe chamar Blitz: não vão ser os leitores dele que a vão comprar a ela.

A referência no ataque

Em futebolês, dir-se-ia que nos falta uma referência no ataque.
A Alemanha tem o Klose com 4 golos e o Podolski com 3; a Argentina tem o Crespo e o Maxi Rodriguez, ambos com 3, assim como o Torres na Espanha; o Brasil tem o Ronaldo, a Ucrânia o Shevchenko, a França o Henry, todos com 2.
E Portugal? Cinco golos, cinco marcadores diferentes: Pauleta, Deco, Ronaldo, Maniche, Simão. Destes, só vejo o Pauleta a emergir como goleador da selecção. E quem sabe não é já hoje...

quinta-feira, junho 22, 2006

Clube das Chaves

Já vai no final da quinta semana e nas primeiras esteve até em mais do que uma sala, por isso achei que já o podia ir ver sem ter a companhia de muitas pipocas. Não li o livro, por isso não posso comparar; posso falar do filme, apenas. Resumindo, o filme é uma espécie de "O Clube das Chaves e a Organização Secreta"; e não digo isto com sentido pejorativo, porque até gostava dos livros do clube das chaves. Pena que o resto do mundo não tivesse lido estes livros, porque se tivesse talvez não achassem tão original este Código da Vinci.
A cópia é óbvia: Sophie herda do avô uma chave que a levará de enigma em enigma. Não percebo como é que, no meio dos processos por plágio, não houve nenhum dos autores do Clube das Chaves. A principal diferença é que o filme se destina ao americano médio, que aparentemente é bem menos inteligente que o puto de 10 anos a que se destina o Clube das Chaves. A cada passo do filme há a necessidade de ser tudo explicado: entrando num bosque por trás do Arco do Triunfo, Tom Hanks olha em volta e exclama algo como: "Ah, isto é o Bosque de Bolonha"; ainda antes, ao ver um homem no chão, pernas e braços esticados, e um círculo a envolver o corpo (esqueceram-se do quadrado), diz: "Isto é o Homem de Vitrúvio"; e para ajudar o americano médio, que certamente ainda não percebeu, insiste: "uma das obras mais famosas de Leonardo da Vinci". Não sei se o livro sofre do mesmo problema, mas a julgar pela quantidade de livros a explicar tudo sobre a obra imagino que não; já sobre o filme não há nada a explicar, está lá tudo (irritantemente) chapado.
Tom Hanks está bem, mas é hoje vítima do próprio sucesso: é impossível vê-lo a correr, mesmo de mão dada com a Princesa Amélie, e não imaginar alguém a gritar Run, Forrest, Run; é impossível vê-lo a barbear e não o imaginar em seguida a falar com uma bola de basebol.
A Tautou tinha o papel ideal para saltar definitivamente para hollywood: um filme destinado a grandes bilheteiras, em que a personagem feminina principal é uma francesa a falar inglês; não esteve mal, mas não me tem conseguido convencer que é muito mais que uma cara bonita. Pela maneira como conduz um Smart em marcha atrás, no entanto, tenho de admitir que era a pessoa ideal para o papel.
No geral, e esquecendo que há um livro por trás, esquecendo que estamos a ter a honra de nos ser revelado o maior segredo da história, acabam por ser duas horas e meia de bom entretenimento. Se o filme está à altura do livro é algo que nunca hei-de saber.

sábado, junho 17, 2006

Oitavos

Jogando bastante melhor contra o Irão do que havia feito contra Angola, a selecção nacional garantiu um lugar nos melhores 16. Segue-se o México, que me parece ao nosso alcance, e um empate basta para garantir o primeiro lugar do grupo. Dependendo dos resultados nos respectivos grupos, este primeiro lugar pode significar evitar a Argentina e, se lá chegarmos, evitar a equipa da casa nos quartos de final. E a partir daí tudo é possível...

quarta-feira, junho 14, 2006

Entulho

O essencial já tinha vindo durante o último ano: roupa, livros, dvd's, cd's.
Agora que a mudança teve que ser mesmo definitiva veio o que faltava: alguns discos de vinil; uma bandeira do benfica, comprada no 1º de Maio, num jogo com o Gil Vicente que deu o título ao glorioso e iniciou o maior jejum da sua história; um TK-95, versão brasileira do Spectrum e responsável por parte do que sou hoje; um busto de Lenine e outro de Marx, comprados em Viipuri/Vyborg, ali quem vai de Helsínquia para S. Petersburgo; uma fotografia emoldurada do Nick Cave; e dois ou três caixotes de - não me custa a admitir - entulho, que escaparam nesta limpeza mas que provavelmente não passarão a próxima.

segunda-feira, junho 12, 2006

Paridade

Tenho, confesso, um certo preconceito contra a discriminação. Não gosto, pronto. E não gosto quer seja "negativa" quer seja "positiva".
Em (alguns?) estados dos EUA, segundo penso saber, existem nas Universidades quotas para os elementos de minorias étnicas (leia-se negros e latinos). Sabendo que as pessoas nascem umas mais iguais que outras, este tipo de discriminação pode trazer algum tipo de justiça, reconheço. Mas significa, por um lado, que eu, negro, estou na Universidade não por mérito mas por ser negro. E que eu, branco, tendo notas iguais ao meu vizinho preto, fiquei de fora, enquanto ele entrou. Não me parece que seja este tipo de medidas que vai diminuir o ódio entre os dois mundos.
Em Portugal, voltou-se a falar das quotas para mulheres na Assembleia da República. O objectivo, mais uma vez, pode ser nobre, mas insisto: eu, como mulher, acharia insultuoso ser deputada não por ser a melhor para o lugar mas por faltar alguém para perfazer uma percentagem artificial. Além disso, não vejo bem que uma melhor distribuição por sexo dos deputados seja uma vantagem. Não me parece provado que as mulheres fossem representar melhor as vontades das eleitoras, nem me parece que seja um grande desejo das mulheres ter mais deputadas: se o for, alguém que crie um partido apenas de mulheres, que terá mais de metade dos votos garantidos.
Para mim, um país ter uma grande percentagem de mulheres no parlamento é apenas um bom sinal: um reflexto da sociedade, significando que nesta existe a tão desejada igualdade entre sexos. Mas se isto se obteve na AR artificialmente, por quotas, então não é bom sinal nenhum: é apenas sinal que alguém decidiu atalhar e mascarar a desigualdade por decreto.
Tomem-se medidas para que a igualdade na sociedade seja uma realidade, e isso será repercutido em todas as profissões, incluindo a de deputado. Se se confundir causa com efeito e se atacar o efeito, as causas continuarão lá como sempre.

quinta-feira, junho 08, 2006

Undertow orchestra

Foi na Terça-feira passada. A noite começou com Oliver Paine (ou Gonçalo Serras, como lhe chamam lá em casa). Parece bom rapaz, mas a nível musical não tenho muito de simpático a dizer sobre ele (são gostos). Começou por dizer que é um músico ainda anónimo, a trabalhar para deixar de o ser. E ainda tem muito que trabalhar, na verdade. Em primeiro lugar parece-me que tem que decidir que caminho quer percorrer: se quer ser o Chris de Burgh português, ou um novo Elton John, ou se se vira para o Tom Waits, ou para Edith Piaf. Mas há que percorrer algum caminho, porque onde está não está nada bem. Um colega que joga comigo futebol seria bem mais directo e diria: És fraco, fraco, fraco. Ah, e já agora, toda a gente percebeu a "piada" da orelha, só não acharam foi grande graça. No país que temos, ainda assim, não me admirava se o rapaz fosse em breve um caso de sucesso.
Não reparei nele dentro da sala, mas no intervalo o Burmester andava por lá. Cabe-lhe a ele, imagino, directamente ou indirectamente, a responsabilidade de garantir que a banda de suporte está enquadrada. Falhou, portanto.
Após o (merecido) descanso, o público foi recompensado com um grande espectáculo. os membros do supergrupo alternam cantando músicas suas, acompanhados pelos restantes elementos; na primeira ronda, tocaram-se três músicas de cada grupo.
O primeiro a entrar em cena foi David Bazan, com duas músicas de Pedro The Lion e uma terceira do projecto paralelo Headphones. Em seguida foi a vez de Will Johnson (que trouxe consigo Scott Danbom dos Centro-Matic, como teclista/violinista), sair de trás da bateria para trocar de posição com Bazan. À primeira vista parecia o mais tímido dos 4, mas acabou por ser, para mim, o que conseguiu os melhores momentos da noite.
Não consegui assistir ao concerto dos Centro-Matic há quinze dias em Famalicão, mas pareceu-me que Will Johnson disse que não correu muito bem: "it was a little weird there", referiu; agora, ao contrário, "it feels very nice". Ele e Eitzel acabaram por dizer que o local era "the best venue ever". E é: muito agradável a sala Guilhermina Suggia, apesar das cadeiras deslizantes e do dourado do órgão.
Vic Chesnutt teve também direito às suas 3 músicas, incluindo a metafórica Iraq. Mark Eitzel foi o último, e esteve ao nível do que já tinha mostrado no final do ano passado em Famalicão (com várias músicas repetidas, aliás). Seguiram-se, no mesmo formato, mais duas rondas, uma de duas músicas e outra de uma música por autor.
Entre outros comentários, houve ainda tempo para elogiar o vinho branco português ("much better than the mixture of tequilla and gasoline we have in Texas; and then they call it wine, and sell it for $8 a bottle; and we keep buying it..."), e também para Eitzel se confessar: "I am a gay man that always writes songs about women". No final, e apesar do próprio Bazan ter reconhecido que o concerto já ia muito longo, o público aplaudiu de pé. Só podia.

segunda-feira, junho 05, 2006

Gémeas Benetton

A Sábado relatava na semana passada que um casal inglês (ambos mestiços) tiveram duas "Gémeas Benetton": uma, branquíssima, loira, de olhos azuis; a outra, negra de olhos castanhos.
Segundo a revista as gémeas são inseparáveis. A história poderia ser um hino anti-racismo, se a notícia não acabasse com a informação de que a menina branca já quase sabe gatinhar, enquanto a negra está sempre a dormir...

Amor é...

Ficar sentado ao lado de uma hospedeira (fora de serviço) no avião, conversar durante a viagem, e no final não pedir o contacto...

sábado, junho 03, 2006

Rumo ao título

Pelo que vi hoje, e para quem ainda tinha dúvidas, Portugal afirma-se como um fortíssimo candidato no Mundial da Alemanha.
A não ser, claro, que a selecção tenha o grande azar de encontrar pela frente selecções mais fortes que Cabo Verde e o Luxemburgo.

Dresden dolls, ainda

Afinal, o concerto podia ter sido mais memorável...

sexta-feira, junho 02, 2006

Frankfurt (regresso)

Parece piada, mas não é.
Conversa no aeroporto, entre uma mãe e uma filha com uns 5 anos:
- Ó mãe, quanto quilómetros são da Suiça para o Porto?
- Dois mil.
- Dois mil? A pé?
- Filha, não, de carro. A pé não sei...

segunda-feira, maio 29, 2006

Frankfurt 6

Dois dias a conhecer a região de Hesse e do Reno, duas vezes parado na auto-estrada pela polícia. Da primeira vez abordado numa bomba de gasolina, na segunda na própria auto-estrada: ultrapassaram-me, olharam, deixaram-se ultrapassar, olharam, ultrapassaram-me novamente, olharam, e acenderam as luzes de Follow me. Houve ainda uma terceira vez em que repetiram a história do ultrapassar/olhar, mas acabaram por não optar pelo Follow me.
Das duas vezes praticamente a mesma história; nada do que estamos habituados: nem carta de condução, nem estado dos pneus, nem selo municipal. Apenas: Passport? Seguido de Weapons? Hashish? e You have not been in Amsterdam? Depois, revisão completa ao carro, carteira, bolsos. Da primeira vez retiraram até o pneu sobressalente; da segunda ignoraram o pneu, mas levantaram o banco traseiro. Nada de weapons ou hashish, contudo.
Moral da história? Não sei bem, mas tenho realmente que melhorar a minha imagem. E amanhã vou verificar os pacotes de leite, provavelmente anda lá alguém parecido comigo. Ou eu próprio até, quem sabe.

Frankfurt 5

Evitando os clubes, optamos pelo bar Moseleck, mesmo em frente ao hotel e provavelmente o pior da cidade. Duas mulheres dançam ao som da jukebox; a mais nova, a terminar os quarenta ou talvez a começar os cinquenta, aponta para a outra e diz-nos que "Sie ist meine Mama". Um freak vem de lá do fundo proposidamente para nos prometer "Friendship for eternity", sabe-se lá porquê. Atrás de um balde espreita ameaçador um taco de basebol, que certamente teria grandes histórias para contar.

Frankfurt 4

Até ontem associava Frankfurt a aeroporto, arranha-céus e Goethe. Graças ao Bahnhofsviertel, associo-a agora a neons, sex shops e peep shows.

Frankfurt 3

Saímos do hotel. Ao lado, à porta de um prédio com aspecto normalíssimo, uma menina com aspecto normalíssimo pisca o olho e diz: Do you want to come? (ou seria cum?) Mais à frente um rapaz sai de umas cabines ainda a apertar as calças. Confirma-se, estamos no red light.

Frankfurt 2

Pedi na empresa para me reservarem um hotel em Frankfurt. Fizeram-me a reserva no Bahnhofsviertel, o bairro em frente à estação central. Para quem não conhece, é o red light daqui da zona. Não sei porque foram fazer a reserva logo neste bairro, mas de qualquer forma tenho de me lembrar de tentar melhorar a minha imagem na empresa quando voltar.

Frankfurt 1

Parecendo que não, o 1º mundo tem as suas vantagens. Na rua o portátil detecta 27 redes, no hotel 7. Ligo-me a um deles à sorte, e funciona. Pausa interrompida, portanto.

sábado, maio 27, 2006

Pausa

O blog volta sexta-feira, após deslocação em trabalho.

Negociação Testemunha-de-Jeová

Rui Costa diz que assinou um contrato em branco, sem valor, para vir para o Benfica. Deve ter feito o negócio da vida dele, imagino. Eu quando me dizem "Dê o que quiser" pago sempre muito mais do que vale...

sexta-feira, maio 26, 2006

A recuperar: Cinema

1) Fui ver o primeiro por razões pessoais, e gostei. O segundo, pelas mesmas razões e ainda porque não perderia um filme que passa por Londres, Paris, Veneza e São Petersburgo, 4 das cidades que, em diferentes momentos da vida, estiveram no top das minhas cidades preferidas. É verdade que fica um pouco atrás do primeiro, mas vale nem que seja apenas por uma imagem: a do inglês que decide aprender russo apenas para poder falar com a mulher por quem se apaixonou. Nabokov (ou será que não foi ele?) refere que quando disse a alguém que já tinha lido Kafka, lhe perguntaram se tinha sido no original alemão; quando respondeu que não, disseram-lhe que então nunca tinha lido Kafka. Essa é uma das razões por que, a espaços, tenho tentado aprender alemão, mas sem grande sucesso; mas enfim, também é verdade que Kafka não é nenhuma boneca russa.
Já agora, o filme vale também por outras bonecas: uma inglesa, uma francesa, uma espanhola, uma belga lésbica, até uma senegalesa...
2) O argumento acaba por ser o que mais valorizo num filme (também nos filmes, como em tudo na vida, a forma pode por vezes fazer esquecer o conteúdo, mas, como em tudo na vida, é raro), e o argumento é o ponto forte deste Inside Man. Nota alta também para Clive Owen. Se, ao contrário de mim, não adormecem a ver cinema em casa, podem deixar para ver no sofá. De qualquer forma, a ver, mesmo por quem não pretende assaltar um banco num futuro próximo.
3) De Ki-duk Kim tinha visto apenas o Primavera, ..., mas era já sem dúvida suficiente para me fazer ir ver este Ferro 3. Tinha lido que o ambiente dos dois filmes era o mesmo, mas não foi o que achei: este junta-lhe momentos de violência, mas também alguns momentos de rara beleza e até alturas de um humor bastante peculiar. Literalmente sem palavras (quem viu percebe o que isto quer dizer).
4) Quando perguntaram a Joseph Heller porque nunca mais tinha escrito algo como o Catch 22 ele respondeu: "mas já alguém o fez?". Também penso que escrever um Catch 22 é suficiente para deixar realizado qualquer escritor, mas a verdade é que Heller continou a tentar repetir o feito. Da mesma forma não se pode pedir a Tornatore que faça sempre Cinema Paradiso's, ou a Benigni que cada filme saia um A Vida é Bela. Mas este O Tigre e a Neve é talvez a sua melhor tentativa até agora de fazer um sucessor digno. A ver por quem gosta de histórias de amor impossíveis, e do humor teatral de Benigni. Ah, e por quem, como eu, sempre imaginou que no casamento perfeito estará o Tom Waits a um canto a tocar piano.
5) Vivemos numa época, como aliás o foram todas as outras, em que já tudo foi inventado. Por isso, nota alta para Clooney por ter conseguido inovar na forma como colou cenas representadas a footage (como é que se diz footage em português?) real de McCarthy. Parabéns, e boa sorte.

quarta-feira, maio 24, 2006

Thomas Truax + Dresden Dolls

O ambiente não prometia muito: um público uns dez anos mais novo do que a casa das artes me habituou (ou sou eu que estou velho?), e para cúmulo atrás de mim ficou um grupo de imberbes que ao que tudo indica nunca antes tinha ido a um concerto. Mas o mal pode estar em mim, claro. Aqui e ali, como esperado, destavam-se as meias e as camisolas às riscas (não teria sido fácil encontrar o Wally ontem à noite).
De Thomas Truax, que pouca gente conheceria, houve apenas tempo para ver uma música ao Hornicator, seguida da Sister Spinster e de "an instrument I did not invent myself, the guitar", primeiro em versão plugged (para The Butterfly And The Entomologist, com a própria borboleta a tocar guitarra) e depois em versão unplugged lá de Wowtown (que os imberbes trataram de arruinar batendo palmas por cima). Se bem me lembro a Cadillac Beatspinner Wheel ainda se juntou à Sister Spinster para tocar Shooting Stars, mas pouco mais. Tinha passado meia horita no máximo quando uma menina (de camisola às riscas, claro) sinalizou para dentro do palco que estava terminado o tempo(!). Soube a muito pouco, mas a verdade é que a audiência mostrava-se mais interessada no casal que se seguia.
Noutros tempos, que não estes da Internet e dos DVD's, a aparência dos Dresden Dolls poderia causar algum surpresa. Ainda assim, a noite estava garantida para fetichistas por meias pela coxa e vestidos curtinhos (se não se importarem com pelos debaixo do braço, claro). Agora sim houve tempo para tudo: muito do novo álbum, os sucessos do álbum de estreia (como Missed me, Coin-Operated boy, Half jack, Girl Anachronism), e até para "something I have never done before": ela que nunca compõe on the road conseguiu aproveitar o sossego proporcionado pela Casa das Artes para compor "what will forever be known as The Portugal Song". Tocando-a pela primeira vez, Mandy portou-se bastante bem, apesar de ter pedido desculpas antecipadas porque "I will surely fuck up".
No geral um concerto que ficará na memória, mas é pena o tempo entre os dois grupos não ter sido um pouco mais dividido.
Falta uma referência ao Massimo: depois de Baby Dee, também a Amanda destacou "the restaurant just outside the door". A experimentar.

terça-feira, maio 23, 2006

It is a necessary evil...

... just like highway gas stations and people.

É já hoje o que promete ser o concerto do ano (e há mais gente a dizê-lo).

Prémio Olha Que Estranho

Notícia da Lusa, via Público Online: "Nova Associação Portuguesa de Infertilidade vai apoiar pessoas inférteis".

Literatura de WC 2

Vemo-los na televisão e imaginamos logo que são pessoas que até têm vida social. E afinal não, são pessoas normais sem nada melhor que fazer do que ler blogs sem grande interesse.
Isto lembra-me que ainda este fim-de-semana me aconteceu visitar alguém, que por sinal até tinha em alguma consideração, que nem a Maria tinha. Fugi, claro, mas confesso que foi embaraçoso tentar explicar ao casal de vizinhos o que fazia no elevador de calças na mão.

Borboleta 2

Confesso que ando um pouco fora das novelas da SIC, mas chamaram-me a atenção para o facto de que a Borboleta se chama agora Floribella. Eu não disse?

Continua a cabala...

Ao mesmo tempo que o Carrilho se chorava no Prós e Contras tínhamos na dois o (incomparavelmente mais interessante) Sete Palmos de Terra. De novo a comunicação social a sabotar o senhor, sem dúvida.

sexta-feira, maio 19, 2006

Baby Dee

Já ninguém na sala (ou, para ser mais correcto, no café concerto) esperava uma pessoa normal. E não quero também deixar a idea que o mais importante de Baby Dee, longe disso, é o facto de ser completamente freak. Mas a verdade é que ao falar do concerto de um(a) hermafrodita com a biografia dela isso acaba por vir ao de cima.
Musicalmente, Baby Dee mostrou na harpa que existe algo muito beautiful dentro da freak. Ao piano, o passado circence vem ao de cima. Impossível evitar a gargalhada ao ouvir "You must not pee in the house of God/Unless it's an emergency/And if you suffer from the crud/Don't wipe your slimy anus there" ou "God's got a plan for you/Jesus got a plan for you/He's gonna fry your fat ass in hell".
A menina começou por dizer que não costumava falar muito, mas que se sentia faladora. O assunto da noite foi o rei português que contratou um castrato para lhe cantar todas as noitas; algo que, segundo ela, certamente teríamos apagado dos nossos livros de História. Ficou encantada com o espaço (de alguém como Baby Dee dizer que um sítio é weird só pode ser um elogio) e também com os tickets de refeição, que prometeu falsificar: "I don't know what a jantar (leia-se rantar) is, but if it starts with scotch on the rocks it must be a good thing", ou "They took me to this place that looked like the toilets in Central Park, but was in fact the best restaurant in the world".
Where is my aguardiente?

PS: Estranhamente, verifico que Micah P. Hinson não mereceu aqui um post na altura do concerto; fica uma foto para recordar. Entretanto, a Arte do Pop já tem também foto.

quinta-feira, maio 18, 2006

Judas, meu amigo

Segundo o novo evangelho, Judas era afinal o grande compincha de Jesus, que inclusive sacrificou o próprio nome (que aparece dicionarizado com o sentido de traidor ou amigo falso, sem dúvida a rever) a um interesse maior: o projecto do Cristianismo.
Entretanto, surgiram já documentos que comprovam que John Lennon pediu ao Mark que lhe espetasse 4 balázios (com medo de acabar como o Elvis), e foi também o próprio Salvador Allende quem deu uma apitadela à CIA, porque estava um pouco farto da vida de presidente.

quarta-feira, maio 17, 2006

Best-sellers

Há dias ouvi alguém dizer que apesar de ser um livro muito vendido, que mudou a forma como se pensa a fé e a religião, os factos apresentados eram no mínimo questionáveis em termos históricos.
Pensei que falasse da Bíblia. Afinal falava do Código da Vinci.

terça-feira, maio 16, 2006

Literatura WC

Um dia que tenha uma livraria haverá uma secção destinada apenas a literatura de casa de banho.
Não sei se sou o único, mas perco algum tempo nas livrarias à procura de livros próprios para casa de banho. E nem falo de livros à prova de água, mas sim de algo muito mais simples: livros de pequeníssimos contos, ou crónicas, ou o que seja, que possam ser lidos no tempo de uma... humm.. ida à casa de banho (e sem correr o risco que seque). Como, segundo parece, este é talvez o local onde os portugueses mais lêem, há aí certamente um nicho de mercado para atacar.
A tal secção da livraria incluirá alguns clássicos, para se ter na casa de banho apenas para impressionar as visitas. Clássicos de literatura de casa de banho, claro: um Guerra e paz não tem ali lugar. Eu, de minha parte, tento sempre ter um outro com esse fim; e, quando visito a casa de alguém, peço sempre para ir à casa de banho, mesmo que não tenha outra vontade que não seja verificar o que têm lá para ler. Se nem uma Maria encontrar abandono o mais rapidamente a casa, porque é pessoa com quem não vale a pena perder tempo.
Já agora, e como ajuda a quem precise enquanto a minha livraria não abre, eis o que tenho neste momento no armário da casa de banho: Prosa Completa, de Woody Allen; O Melhor das Comédias da Vida Privada, Luis Fernando Veríssimo; O Regresso do Menino Nicolau, Goscinny e Sempé; Primeira Pessoa, Pedro Mexia; Vai Pensamento, Pacheco Pereira.

A recuperar...

Já não sai um postzito há mais de duas semanas... A recuperar...

sexta-feira, abril 28, 2006

Na praia...

Era para durar uma semana e acabou por durar um mês, mas a duas jornadas do fim acabei por perder o primeiro lugar.


Também no Golo.pt a semana correu mal, e saí do pódio.


A ver o que ainda se consegue fazer nas duas semanas que faltam.

quarta-feira, abril 26, 2006

Loliña (segunda tentativa)

À segunda foi de vez: na Net alguém prometia "uno de los mejores Bogavantes con arroz que hayas probado nunca", e realmente foi o que conseguimos desta vez comprovar no Loliña, em Carril (Vilagarcía de Arousa). O restaurante, ao que sei, perdeu a estrela Michelin em 2005, mas a verdade é que a comida é saborosíssima, com ou sem estrela. Falta agora provar o também muito aconselhado Guiso de Rapé - do irmão da Lola, na vizinha Casa Boveda.
Já agora, nota também bastante positiva para o Aguarela, em Esposende, onde comi há 2 semanas: um magret desta vez, mas conto voltar para provar o resto da (reduzida) ementa.
Em termos de preço, o Bogavante para duas pessoas no Loliña fica por 50€, o que faz a refeição passar facilmente para os 70 pelo menos (isto mesmo sem entradas, porque estas - Almejas a la Marinera, e também um delicioso Pulpo a la Gallega - tinham sido a caminho, 40 kms antes, em Combarro). No Galloufa, a refeição para duas pessoas tinha ficado também perto dos 70€, e no Aguarela "ficou-se" pelos 50€.

A arte do pop

Excelente concerto dos Pop Dell'Arte, sexta-feira passada na Casa da Música, em comemoração dos 20 anos de carreira. João Peste, desta vez vestido de romano, esteve em grande forma: quando o público já se queixava das pernas (o concerto foi sem cadeiras!), João Peste fez dois encores, cada um aí com meia dúzia de músicas. Umas duas horas de música, onde se ouviu (quase) tudo que o público pediu.
Quanto à Casa da Música... É o Souto Moura, penso, que costuma argumentar, quando lhe falam em custos, que já ninguém se lembra de quanto se gastou nas pirâmides do Egipto. Entrei no edifício pela primeira vez, e realmente só tenho que lhe dar razão.

segunda-feira, abril 24, 2006

Protestos

Notícia hoje no Público: "Pais fecham escola do Porto a cadeado em protesto contra encerramento".
Outras notícias relacionadas:
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quinta-feira, abril 20, 2006

Onanismo

O polegar oponível terá certamente sido essencial para a evolução da nossa espécie, mas também me parece que contribui para que não se propague tão rapidamente.

quarta-feira, abril 19, 2006

Ainda sobre os duelos de gigantes

E assim nos vamos consolando...

1/8 Final, Stamford Bridge: Chelsea 1 - Barcelona 2
1/4 Final, Luz: Benfica 0 - Barcelona 0
1/2 Final, San Siro: Milan 0 - Barcelona 1